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08/01/2010 09:26

deixar ouvir o vento nos ouvidos
um dia vi os gansos voarem para o sul

kulosari

kulosari

de repente me sinto tão leve
como esses pássaros que voam

suomi

suomi

e desejo tão pouco além do que tenho
muito pouco, de fato

ouço as antigas canções
da Karelia

"tome minha mão

e venha comigo

pela relva

e pela tundra"

e essas canções simples
enchem meus olhos de lágrimas

"tome minha mão

minha pequenina

e deixe suas pálpebras

pesarem.

Deixe o sono nos levar embora

como o vento leva os pássaros

para o sul"



enviada por Mitsuo



22/12/2009 01:00


`a merda eu e meu haikai alemão


enviada por Mitsuo



17/12/2009 12:56

a água escorre e os corvos
montanhas de Ararat

meu coração fica leve
e se derrete

na cor da romã


enviada por Mitsuo



02/12/2009 03:54




som dos carros

devastada madrugada

pupilas rotas ela me oferece um gole

de Gin

sua pele e joelhos

vejo meu sexo em suas dobras

nas dobras de seus joelhos

entre as coxas nesse calor

um cheiro de Gin e suor

som dos carros e caçambas

que eternamente retiram entulho

a voz dela pastosa e todo esse desejo infinito

minha pele esgarçada

esses ruídos bestiais

essas frestas e essas rachas

nas quais eu quero morrer

uma morte etílica de Gin

sufocado no sexo dela
atropelado por um caminhão

um caminhão de caralhos

num calor tão quente que faz as rodas derreterem

num mar de pelos pubianos e sucos vaginais

mornos

tento me manter sob controle

só que a garrafa de Gin que me olha
atravez dos olhos de uma mulher

esses olhos demoníacos femininos
de tentações venusianas

eu só consigo sentir cheiro de Gin
e ouvir os freios dos caminhões

cada minuto da madrugada
o ar vazio e pesado recheado de nada

nada e esse cheiro de Gin
nada e esse gosto de buceta

nada nos olhos dela
essa redenção no nada

no nada de um orgasmo viceral
no nada abafado de calor estático

no nada uterino escuro
no nada de um coma alcoolico

a voz dela me oferece um Gin

que vem com suor, sexo e morte

por que eles conseguem tomar porres triviais?

enquanto eu quero me meter de volta no útero

útero na dobra do joelho
no suor da pele quente

do gole ancestral
que queima as entranhas

eu vou pra casa dormir
deixar que outro morra nos braços dela
e nos goles

nos goles

nos goles

de Gin





enviada por Mitsuo



16/11/2009 08:26





"Desencana desse drink, joga um limão"

"e vira?"

"é..."

"você tá bêbado"

"ora, quem não está?"

"não sei... os muçulmanos?"

"Vamos, vira isso logo, come esse limão"

"não sei, acho que vai me fazer mal"

"..."

"óquei" - vira o drink

"viu?"

"o que?"

"você comeu o limão"

"e daí?"

"queria ver um muçulmano comer isso. Eles não transam cítricos"

"vamos pra doutor arnaldo?"

"demorou"

(...)

"você me disse que essa festa era boa"

"e daí?"

"isso é uma merda, eu quero ir pra casa"

"bebe mais"

"óquei"

(...)

"essa festa continua uma merda"

"mas agora você tá bêbado"

"é, né?"

(...)

"vamos embora da doutor arnaldo?"

"demorou"

"sabe..."

"o quê?"

"nada, deixa pra lá"

"Óquei"












enviada por Mitsuo






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